Dia internacional da mulher em discursos presidenciais: três tempos em diálogo (2014/2017/2022)
Nome Completo:
Larissa Vieira de Cerqueira
Unidade da USP:
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
Programa de Pós-Graduação:
Filologia e Língua Portuguesa
Nível:
Mestrado
Resumo:
A dissertação "Dia Internacional da Mulher em discursos presidenciais: três tempos em diálogo (2014/2017/2022)" pesquisa o pronunciamento da ex-presidenta Dilma Rousseff (2014) em rede nacional de rádio e televisão e os discursos dos ex-presidentes Michel Temer (2017) e Jair Bolsonaro (2022) em cerimônia pública do dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Tratar da questão da mulher é um tema de política pública. A busca pelos direitos da mulher e pela eliminação das variadas formas de desigualdade e de violência de gênero passa necessariamente pelo discurso político. Desse modo, o objetivo dessa dissertação é discutir o posicionamento da presidenta e dos presidentes em torno da mulher e o tratamento dirigido a esse grupo no 8 de março. Três resultados se destacam: i) Dilma Rousseff fala para a câmera, suas interlocutoras são "especialmente" as mulheres, as "queridas brasileiras", enquanto Temer saúda "indistintamente a todos" que estão na cerimônia e Bolsonaro fala para os "senhores militares" presentes; ii) Rousseff aborda políticas públicas para a ascensão social da mulher de periferia, por meio de sua formação e profissionalização, de modo que ganhe independência financeira e saia do ciclo da violência doméstica; já tanto Temer, quanto Bolsonaro relacionam a mulher com ser mãe, esposa e dona de casa. Temer assume um posicionamento ideológico sexista ao atribuir as responsabilidades do cuidado somente à mulher e não ao homem, como fazer compras no supermercado e educar os filhos; Bolsonaro assume um posicionamento machista ao defender a mulher como submissa ao homem e auxiliadora dele, ou auxiliada por ele; iii) o uso do terninho na cor azul claro representa serenidade, traduzindo o tom da ex-presidenta Rousseff diante da crise econômica: passar tranquilidade para as brasileiras, encorajando sua ascensão social. Quanto ao ex-presidente Bolsonaro, o uso da cor rosa no cenário, na sua gravata e na roupa das mulheres em seu redor retoma o posicionamento contrário à "ideologia de gênero" e a favor de uma única possibilidade de ser mulher: cisgênero, heterossexual, mãe, esposa. Adotar discursos patriarcais, sexistas e machistas é uma forma de manter os problemas diários de desigualdade entre homens e mulheres nas empresas, nos lares, no espaço público, contribuindo para situações de violência de gênero e para as mortes de tantas mulheres que morrem pelo simples fato de serem mulheres. Por outro lado, incentivar a ascensão econômica das mulheres para que deixem de ser dependentes financeiramente de seus companheiros é uma forma de romper o ciclo da violência de gênero que pode levar ao feminicídio. Interpelar os homens é uma maneira de conscientização masculina para participação nessa luta.