Caminhos de uma escrita na escuta
Nome Completo:
Luiza de Freitas Guimarães Salles Martins
Unidade da USP:
Escola de Artes, Ciências e Humanidades
Programa de Pós-Graduação:
Programa de Mudança Social e Participação Política
Nível:
Mestrado
Resumo:
Os "caminhos de uma escrita na escuta" é uma investigação no campo das artes e da saúde mental, sobre a escrita poética como um jeito de cuidar e de conhecer, ao longo de experiências, proposições, poemas, pensamentos e práticas. Aliada à Investigação Baseada nas Artes, e mais especificamente, à Investigação Poética, percorro esses caminhos destacando a escuta como modo de estar na pesquisa, no cuidado e na escrita. Uma escuta que realça o aspecto relacional e sensorial com o meio, as pessoas e a bibliografia. Ao decorrer da pesquisa, retomo dispositivos poéticos experimentados em proposições coletivas (especialmente, duas oficinas de escrita no cuidado e uma intervenção sobre escrita na pesquisa), para explorar possibilidades de práticas em saúde mental não dominadas por um saber biomédico ou estritamente "psicológico", e de pesquisa não dominadas pelo conhecimento cartesiano, neutro e objetivo. Para investigar essas e outras experiências da escrita poética endereçada ao cuidado, sete procedimentos de escrita na escuta foram propostos como duplos atos simultâneos que evidenciam uma prática de escrita poética no híbrido arte/clínica: 1. escutar atenta/escrever afetada; 2. permitir a escuta/experimentar a escrita; 3. escutar a si/escrever contra si; 4. testemunhar fora/viver dentro; 5. incorporar/decompor; 6. engavetar o texto/caminhar no vazio; 7. retomar/levar à cabo. No diálogo com e entre tais procedimentos, essa escrita se faz por uma deambulação não linear ao longo de experiências poéticas como produção de cuidado. Cuidado, este, pensado enquanto processo em uma pesquisa gestada enquanto processo. Enfocar a escuta nesses processos de escrita poética, evidencia que mais do que a busca por resposta ou cura, é possível produzir cuidado pelo testemunho, através da inventividade imbuída nessas práticas, firmadas em encontros de compartilhamento de experiências coletivas. A aposta é, portanto, em um cuidado em saúde mental que se afirma enquanto um fazer junto inventivo; um fazer-com, no qual a poesia nos ensina a ver e a escutar para além daquilo que é visível/audível, nos ajudando a dizer e a inventar para além daquilo que é dizível/possível.