Práticas educacionais inclusivas na educação infantil e desenho universal para aprendizagem: estudos com professores
Nome Completo:
Ana Carolina Arruda Miranda
Unidade da USP:
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto
Programa de Pós-Graduação:
Programa de Pós-Graduação em Psicobiologia
Nível:
Doutorado
Resumo:
Promover condições de acesso ao currículo comum a todos os estudantes ainda é um desafio no contexto educacional brasileiro, principalmente na Educação Infantil por ser uma etapa do ensino regular com objetivos pedagógicos ainda pouco compreendidos e difundidos. O professor é visto como um agente-chave no processo de inclusão escolar, apesar das lacunas presentes na sua formação. O Desenho Universal para Aprendizagem (DUA) é uma proposta alternativa para proporcionar condições que favoreçam a aprendizagem de todos os alunos. Diante disso, essa tese teve como objetivo descrever e analisar a atuação de professores sob a perspectiva da Educação Inclusiva e verificar os efeitos de um programa de desenvolvimento profissional sobre o DUA na elaboração de planos de ensino inclusivos voltados para o ensino de vocabulário dentro da Educação Infantil. Foram conduzidos dois estudos: no primeiro estudo realizou-se um levantamento junto a 15 professoras, de modo a investigar práticas pedagógicas relatadas e práticas efetivamente implementadas por elas no ensino de crianças identificadas como tendo dificuldades para realizar as atividades propostas em sala de aula, bem como as principais dificuldades enfrentadas por essas professoras na promoção de um ensino inclusivo; no segundo estudo verificou-se os efeitos de um programa de desenvolvimento profissional online (composto por curso online sobre o DUA e sessões síncronas de consultoria), realizado com 20 professores, na elaboração e implementação de planos de ensino voltados para o ensino de vocabulário a partir de atividades de Leitura Compartilhada de História. Também foram analisadas filmagens da aplicação dos planos de ensino antes e após a intervenção. O Estudo 1 indicou que as professoras utilizavam mais práticas inclusivas em suas aulas do que relatavam, apesar do número de práticas implementadas ainda ser restrito. Além disso, a perspectiva destas sobre o ensino de crianças com dificuldades e deficiências ainda é mais voltado paras as limitações do que para as potencialidades dos alunos. O Estudo 2 identificou que o programa de desenvolvimento profissional proposto contribuiu para a elaboração de planos de ensino mais condizentes com os princípios do DUA e para que duas professoras do grupo intervenção com maiores pontuações no primeiro plano de ensino (pré-teste) e no terceiro plano de ensino (pós-teste), implementassem aulas mais condizentes com o plano de ensino realizado. Os estudos dessa tese demonstraram que ainda há uma longa trajetória para que a Educação Inclusiva de fato proporcione condições de aprendizagem para todas as crianças. Programas de desenvolvimento profissional para professores da Educação Infantil podem contribuir para o planejamento e aplicação de práticas educacionais inclusivas nesta etapa crucial da escolarização. Entretanto, é fundamental que esses programas proponham intervenções dentro no contexto de sala de aula e avaliem seus efeitos tanto na teoria, quanto na prática.