Nome Completo:
Camila Sanches Guaragna
Unidade da USP:
Instituto de Psicologia
Programa de Pós-Graduação:
Programa de Pós-Graduação Psicologia Escolar e Desenvolvimento Humano
Nível:
Mestrado
Resumo:
A pesquisa de mestrado intitulada "Medicalização da educação e a pandemia de COVID-19: contribuições da Psicologia Histórico-Cultural" foi desenvolvida com auxílio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), processo no 2022/01950-1, e teve como principal objetivo compreender como tem ocorrido a produção de diagnósticos de transtornos relacionados à aprendizagem e/ou ao comportamento e a dispensação de medicamentos para crianças dos anos iniciais do Ensino Fundamental durante a pandemia de COVID-19. Isto, pois, a necessidade de fechamento das escolas atingiu os(as) estudantes de diferentes maneiras, limitando as interações sociais e dificultando o processo de ensino-aprendizagem. Foram situações que, embora necessárias, impactaram no processo de desenvolvimento das crianças e dos adolescentes. Além disso, muitas pesquisas apontam, há décadas, a existência do fenômeno da "medicalização da educação", de acordo com o qual dificuldades relacionadas à aprendizagem e/ou aos comportamentos são compreendidos como fenômenos individuais centralizados especialmente na criança, desconsiderando os demais fatores que estão presentes, como questões sociais e pedagógicas. Neste sentido, muitos comportamentos passam a ser identificados como sintomas de transtornos, justificando o uso de remédios como principal tratamento, e demais estratégias enquanto secundárias. A partir disso, identificamos que, diante das situações ocasionadas pela pandemia, as consequências para a aprendizagem e para o desenvolvimento das crianças poderiam ser interpretadas, quando não fossem corretamente analisadas, como possíveis transtornos. De modo geral, os resultados apontaram aumento de crianças diagnosticadas com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e com Transtorno do Espectro Autista (TEA) após o período de isolamento social, e também aumento da dispensação do Cloridrato de Metilfenidato como tratamento para TDAH, usualmente comercializado como Ritalina® ou Concerta®. Também realizamos estudos de caso com dois meninos diagnosticados com TDAH e a análise revelou a complexidade do período em questão onde, apesar das diferentes estratégias implementadas pela escola, houve manutenção do olhar medicalizante direcionado aos estudantes participantes da pesquisa. Assim, entendemos que a pesquisa é relevante para dar andamento à discussão sobre medicalização, especialmente após a pandemia, a qual não pode ser desconsiderada. Esperamos que os dados e as discussões contribuam para a compreensão de que fenômenos escolares precisam ser estudados de forma coletiva, considerando os diversos fatores que os constituem, sem culpar individualmente as crianças, suas famílias ou os(as) professores(as). Diante disso, defendemos a importância da participação de psicólogos(as) escolares que, em conjunto com a equipe escolar, contribuam para análises sociais, culturais e políticas dos fenômenos escolares, em direção à superação de análises individualizantes.