Nome Completo:
Beatriz Viana Pereira
Unidade da USP:
Faculdade de Ciências Farmacêuticas
Programa de Pós-Graduação:
Farmácia (Fisiopatologia e Toxicologia)
Nível:
Mestrado
Resumo:
Cromoblastomicose (CBM) é uma micose subcutânea adquirida por trauma (perfurações, cortes, etc.) no tecido subcutâneo através de materiais vegetais contaminados pelo agente causador, podendo ser por meio de espinhos de plantas ou qualquer material vegetal em que o fungo possa se estabelecer. Está presente em países de clima tropical e subtropical, sendo o Brasil um dos países com um dos maiores índices da infecção, e estados como o Amazonas, a maioria dos estados do sudeste, Rio Grande do Sul, Maranhão e Pará, os que possuem o maior foco. O principal agente causador da CBM no país é Fonsecaea pedrosoi. A terapia medicamentosa com antifúngicos, podendo estar associados a métodos físicos, como cirurgia e laserterapia, é o protocolo para o tratamento da doença, entretanto demonstra baixa eficácia. O arsenal medicamentoso limitado, longa janela de tempo do tratamento, o que ocasiona toxicidade no fígado e nos rins, são alguns dos problemas enfrentados. O perfil majoritário de indivíduos atingidos são trabalhadores rurais precarizados, estes que, em muitos casos, não recebem EPIs (Equipamento de Proteção Individual) para seu trabalho, facilitando a contaminação. Jornadas de trabalho exaustivas, sem direitos trabalhistas e sem condições para conseguirem sustentar um tratamento, são fatores socioeconômicos para o estabelecimento da doença. Fora estes fatores, a CBM é uma micose crônica a qual demora meses e até anos para o surgimento da lesão, dificultando o diagnóstico. Além disso, é classificada como uma doença tropical negligenciada (DTN), um grupo de doenças que não recebem devida atenção e investimento, já que afetam, principalmente, pessoas e locais precarizados. Visando contornar estas questões, o laboratório de micologia do Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF-USP), coordenado pelo Prof. Dr. Sandro Rogério de Almeida, tem estudado sobre o tema. Foram selecionados peptídeos provenientes de proteínas do fungo Fonsecaea pedrosoi que pudessem demonstrar maior potencial como agente imunizador contra a CBM. Destes peptídeos, o Hp11696 foi o mais promissor para ativação da resposta imunológica nos testes em células e animais. Este demonstrou potencial para reduzir a carga fúngica da doença, diminuindo colônias do fungo F. pedrosoi nos órgãos infectados, além de ser um potencial regulador da resposta inflamatória causada pelo fungo. Por meio de ensaios com células, foi constatado ser seguro quando em contato com as células de defesa. Assim, sendo um promissor agente imunizador para possíveis terapias vacinais contra a CBM. Este estudo, com a junção de outros presentes em nosso laboratório, contribuirá no tratamento contra a CBM de modo a melhorar no âmbito terapêutico, evitando as diversas problemáticas da doença. Como também contribuindo para a divulgação de doenças negligenciadas, estas que precisam urgentemente de maior atenção.