Motivação para a muscularidade, comportamento alimentar orientado para a muscularidade e sintomas de dismorfia muscular: um modelo teórico de relações
Nome Completo:
Maria Laura Precinotto
Unidade da USP:
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto
Programa de Pós-Graduação:
Psicobiologia
Nível:
Mestrado
Resumo:
A busca pelo corpo "perfeito" pode levar a desafios sérios para a saúde mental e física. Um desses desafios é a dismorfia muscular (DM), um transtorno que faz com que a pessoa apresente preocupação excessiva em não ser suficientemente musculoso e magro. Essa preocupação pode levar a comportamentos como dietas restritivas, treinos excessivos e uma relação pouco saudável com a alimentação e o próprio corpo. Nosso estudo investigou como a motivação para a muscularidade, o comportamento alimentar orientado para a muscularidade e os sintomas de DM se relacionam. Além de investigar diferenças nestes aspectos entre mulheres lésbicas e bissexuais. Embora pesquisas anteriores tenham mostrado que minorias sexuais podem ser mais vulneráveis a problemas de imagem corporal e alimentação, ainda existem poucos dados sobre como esses fatores se manifestam especificamente em mulheres lésbicas e bissexuais. Para entender melhor essa relação, realizamos um estudo com 1.131 mulheres cisgênero lésbicas e bissexuais, com uma média de idade de 25 anos. Os dados foram coletados de maneira virtual entre novembro de 2022 e outubro de 2023. Foram utilizados questionários específicos para medir sintomas de dismorfia muscular, motivação para a muscularidade e comportamentos alimentares voltados para a muscularidade. Os dados foram analisados para identificar padrões e diferenças entre os grupos e avaliar relações entre os aspectos de muscularidade. De forma geral, não foram encontradas diferenças significativas nos aspectos de muscularidade entre as mulheres cisgênero lésbicas e bissexuais. No entanto, em alguns aspectos atitudinais e comportamentais de motivação para a muscularidade, as mulheres lésbicas apresentaram pontuações ligeiramente mais altas do que as mulheres bissexuais. Também foi observado que mulheres mais jovens foram as mais propensas a apresentar preocupações com a muscularidade. Enquanto o índice de massa corporal (IMC) teve impacto variado dependendo do aspecto de muscularidade analisado. Por fim, a motivação para a muscularidade e o comportamento alimentar orientado para a muscularidade estão relacionados e foram encontrados como preditores de diferentes sintomas de dismorfia muscular. Esses resultados mostram que os aspectos de muscularidade estão interligados e devem ser considerados no cuidado em saúde, principalmente, para populações de minorias sexuais. Os profissionais de saúde têm um papel crucial na prevenção de problemas relacionados à dismorfia muscular. De maneira que, é essencial que esses profissionais estejam atentos aos sinais de alerta (como intensa motivação para a muscularidade e significativos comportamentos alimentares orientados para a muscularidade) e promovam uma relação mais saudável com o corpo e a alimentação. O objetivo não é desencorajar a busca por um corpo forte e saudável, mas sim garantir que essa busca seja equilibrada e não motivada por padrões inatingíveis ou influências externas prejudiciais.