"A escola, o jardim e as estações: o oásis numa cidade árida, um estudo do imaginário da escola"
Nome Completo:
Maria Alice Zimmermann
Unidade da USP:
Faculdade de Educação
Programa de Pós-Graduação:
Educação - Cultura, Filosofia e História da Educação
Nível:
Doutorado
Resumo:
Considero que a escola é mais do que um prédio com salas, quadros, quadras, leis, índices e regras. Ela pode ser jardim, refúgio, encontro, território de afetos e imaginação. A escola pública me encanta. Sempre me encantou. Sigo a inquietação trazendo as muitas considerações a quem faz desta escola um lugar que tem a função de um oásis no deserto de uma cidade que se distancia cada vez mais dos direitos e deveres. Minha tese — "A escola, o jardim e as estações: o oásis numa cidade árida, um estudo do imaginário da escola" — nasceu da escuta atenta dos colaboradores que, entre flores e outonos, compartilham memórias de suas vivências escolares. Nasce da vivência intensa e sensível no cotidiano escolar, como também em outros lugares relacionados à escola, às vezes um pouco mais afastados fisicamente. Alimentado por mais de três décadas de atuação em vários segmentos na educação pública paulistana. A escola, aqui, é pensada, não como um espaço funcional contido e distante, mas, como território de afetos, memórias e significados compartilhados — um jardim possível em meio à aridez urbana. A partir de intensa vivência e de entrevistas transformadas em contos, verbetes e relatos poéticos, investigo como o imaginário —as camadas simbólicas e afetivas — habita a escola e pode revelar sua potência humana e afetiva. Utilizo uma metodologia sensível, que combina autoetnografia, narrativas biográficas. A partir de um referencial teórico que combina e envolve imaginário, topofilia, narrativas biográficas e acrescento a essa combinação o ciclo das estações do ano como metáfora para pensar os tempos da vida e os tempos da escola: os começos, as pausas, o plantio, as colheitas e os silêncios. Ao invés de tratar a escola apenas como uma estrutura funcional ou burocrática, procuro compreendê-la como lugar de pertencimento, como paisagem emocional e cultural, onde professores, servidores, alunos e suas famílias deixam rastros e constroem sentidos. O impacto social deste trabalho está em ampliar a forma como olhamos para a educação. Em tempos marcados por pressa, telas, notas de avaliações externas que são transformadas em metas e desumanização, minha pesquisa convida a sociedade — especialmente educadores, gestores e famílias — a refletir sobre a importância da escuta, da memória e do cuidado com os espaços escolares. Ela propõe uma escola mais viva, conectada com os ritmos da vida e com os afetos que sustentam os processos de ensino e aprendizagem. Indiretamente, contribui também para políticas públicas e práticas pedagógicas que valorizem a vivência e subjetividade de professores e alunos, além da construção simbólica dos ambientes educativos. Reencantar a escola não é um luxo, é uma urgência. E talvez, nesse reencantamento, esteja uma das chaves para transformar a educação — e a própria sociedade — em algo mais sensível, justo e humano.