Extratos botânicos: bioatividade sobre Spodoptera frugiperda (Lepidoptera: Noctuidae), caracterização metabolômica e compatibilidade com agentes de controle biológico
Nome Completo:
Emile Dayara Rabelo Santana
Unidade da USP:
ESALQ/USP
Programa de Pós-Graduação:
Entomologia
Nível:
Doutorado
Resumo:
Proteger plantações contra pragas é um dos maiores desafios da agricultura. E uma das estratégias mais comuns para lidar com essas pragas é o uso de inseticidas sintéticos. Mas você sabia que a maioria desses produtos são inspirados em moléculas que existem na própria natureza, principalmente em plantas? Acontece que, apesar de eficientes, esses inseticidas sintéticos muitas vezes afetam não só as pragas, mas também os insetos "do bem", como os predadores e parasitoides que ajudam naturalmente no controle das pragas. E isso pode causar desequilíbrios no meio ambiente. Então surge a pergunta: por que não usar os compostos das plantas diretamente, em sua forma natural? E mais: por que não avaliar se esses extratos vegetais conseguem matar as pragas sem prejudicar os insetos benéficos? Foi exatamente isso que investigamos nesta pesquisa. Estudamos o potencial de extratos de plantas das famílias Annonaceae e Solanaceae contra a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), uma praga que ataca cultivos como milho, soja e algodão. Descobrimos que o extrato das folhas da planta Annona montana foi o mais promissor. A partir dele, isolamos as frações mais ativas, que foram testadas em laboratório. Uma dessas frações (denominada EFAMON) causou mais de 80% de mortalidade nas lagartas e reduziu seu crescimento. Ao analisar a composição química por meio de técnicas metabolômicas, identificamos compostos chamados acetogeninas, já conhecidos por sua atividade inseticida. Mas a pesquisa não parou por aí! Também testamos se esse extrato e outros produtos botânicos afetariam os insetos aliados do agricultor, como o predador Doru luteipes (tesourinha) e o parasitoide Trichogramma atopovirilia. Esses organismos ajudam a controlar naturalmente várias pragas no campo. Os resultados mostraram que o extrato EFAMON apresentou baixa toxicidade para esses inimigos naturais, especialmente em comparação com o inseticida sintético utilizado como referência, que causou alta mortalidade e prejuízos ao comportamento dos insetos. Por outro lado, alguns produtos botânicos, como o extrato de sementes de Annona mucosa e o inseticida comercial Anosom® (feito a partir de compostos de plantas), reduziram significativamente a capacidade de parasitismo do Trichogramma. Isso evidencia que, embora sejam de origem vegetal, esses produtos nem sempre são inofensivos aos insetos benéficos. Ou seja, o fato de um inseticida ser botânico não garante que ele seja totalmente seguro, é essencial avaliar caso a caso. Esses achados reforçam o potencial do extrato de Annona montana para o desenvolvimento de inseticidas mais sustentáveis, com menor impacto sobre os inimigos naturais. A combinação desses compostos com o controle biológico pode tornar o manejo de pragas mais eficaz e ambientalmente responsável.