ENTRE A ROÇA E A COZINHA: Território, Agricultura, Alimentação e Tradição nos Quilombos do Vale do Ribeira (SP)
Nome Completo:
Ana Carolina Almeida da Silva
Unidade da USP:
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
Programa de Pós-Graduação:
Geografia Humana
Nível:
Mestrado
Resumo:
Quilombos do Vale do Ribeira (SP): o que os modos de produzir alimentos nos revelam sobre o território e a identidade dessas comunidades A pesquisa trata das formas tradicionais e atuais de produzir alimentos em comunidades quilombolas no Vale do Ribeira (SP), com maior ênfase aos Quilombos de Barra do Turvo, demonstrando como o modo de vida quilombola está diretamente ligado à territorialidade e à identidade coletiva dessas comunidades tradicionais. Nessas comunidades, plantar, colher e preparar alimentos são práticas que vão muito além da subsistência: são expressões de resistência, memória social, pertencimento e devoção. Mudanças externas, como a criação do Parque Estadual do Jacupiranga na década de 1960, e transformações mais recentes, como a introdução dos Sistemas Agroflorestais (SAFs) e o aumento da produção de gado, impactaram diretamente o acesso à terra, os modos de cultivo e o dia a dia dessas comunidades. Essas interferências afetaram não apenas a produção de alimentos, mas também a alimentação cotidiana, a autonomia e as relações sociais locais. A partir de entrevistas com quilombolas da região e de observações em campo, a pesquisa aponta que, mesmo diante das adversidades, essas comunidades desenvolvem estratégias para manter seus modos de vida tradicionais. Os saberes ancestrais, a valorização da cultura alimentar e o o uso estratégico da tradição surgem como ferramentas políticas para defender seus territórios e afirmar seus direitos. Os resultados revelam a importância de reconhecer e valorizar os conhecimentos quilombolas, especialmente em um momento em que se discute segurança alimentar, justiça social e sustentabilidade ambiental. Essa realidade mostra que políticas públicas mais sensíveis às especificidades culturais e territoriais são fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa e diversa. O estudo também evidencia que as práticas alimentares tradicionais quilombolas não são apenas um modo de vida, mas também um exemplo poderoso de como é possível viver em harmonia com o território e a natureza, com autonomia e dignidade, a partir da tradicionalidade e identidade.