Caracterização química e ecotoxicológica de cianobactérias: dos metabólitos pouco explorados ao potencial biotecnológico
Nome Completo:
Éryka Costa de Almeida
Unidade da USP:
Faculdade de Ciências Farmacêuticas
Programa de Pós-Graduação:
Farmácia (Fisiopatologia e Toxicologia)
Nível:
Doutorado
Resumo:
Transformando um problema da água em solução sustentável: o que a ciência das cianobactérias tem a ver com a sua vida? Você já viu uma represa ou lago com a água esverdeada, parecendo suja? Isso pode ser causado por cianobactérias, microrganismos que existem há bilhões de anos e que, em excesso, podem representar riscos à saúde de animais, humanos e ao meio ambiente. Minha pesquisa de doutorado investigou como essas cianobactérias impactam criatórios de peixes (aquicultura) — especialmente a tilápia, uma das principais fontes de proteína para milhões de brasileiros. Estudamos dois grandes lagos no sudeste do Brasil, onde encontramos diferentes espécies de cianobactérias e analisamos os compostos que elas produzem. O que descobrimos foi preocupante: mesmo cianobactérias que não produzem toxinas conhecidas podem liberar substâncias que afetam a saúde de organismos aquáticos e, potencialmente, dos consumidores humanos. Mas nem tudo é ruim. Uma parte muito interessante da pesquisa mostrou que algumas dessas cianobactérias podem ser aproveitadas de forma benéfica. Isso mesmo! Identificamos cepas que não são tóxicas e que possuem alto valor nutricional. Com isso, elas podem ser usadas como ingredientes sustentáveis para ração animal ou até para produzir biocombustíveis, diminuindo a dependência de fontes tradicionais como a soja, cuja produção tem alto impacto ambiental. Ou seja, além de apontar os riscos, minha pesquisa também revela oportunidades de inovação. A ideia é que, com o monitoramento adequado, possamos transformar um problema ambiental em uma solução para a produção de alimentos e energia mais limpa. O impacto para a sociedade é direto e claro: - Mais segurança alimentar, com peixes mais saudáveis; - Menos risco à saúde pública, com águas mais limpas; - Novas formas de aproveitamento sustentável de recursos naturais, valorizando a biodiversidade aquática brasileira; - Apoio ao desenvolvimento de tecnologias verdes para a agroindústria. Em tempos de crise ambiental e busca por sustentabilidade, a ciência mostra que até mesmo os "vilões microscópicos" da água podem ser parte da solução.