Investigação molecular das neuropatias hereditárias sensitivo-motora desmielinizantes de início precoce por estudo de exoma
Nome Completo:
Ivan Augusto de Lorena
Unidade da USP:
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto
Programa de Pós-Graduação:
Neurolologia
Nível:
Doutorado
Resumo:
Estudo sobre doenças genéticas raras que afetam os nervos em crianças As neuropatias hereditárias são doenças genéticas raras que afetam os nervos responsáveis pelos movimentos e pela sensibilidade do corpo, chamadas de sistema nervoso periférico. Essas doenças afetam cerca de 1 em cada 2.500 pessoas. Entre elas, um tipo chamado neuropatia sensitivo-motora desmielinizante, também conhecida como CMT (Charcot-Marie-Tooth), é a mais comum em crianças. No Brasil, ainda sabemos pouco sobre como essas doenças aparecem nas crianças do ponto de vista genético. Por isso, nosso estudo buscou entender melhor quais alterações genéticas estão por trás dessas doenças em crianças e adolescentes, com o objetivo de melhorar o diagnóstico, o tratamento e o aconselhamento das famílias. Além disso, esse conhecimento pode ajudar no desenvolvimento de tratamentos no futuro, já que atualmente essas doenças não têm cura. O que fizemos no estudo: Analisamos 105 crianças e adolescentes (de 0 a 20 anos), todos acompanhados no ambulatório de doenças neuromusculares do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP). Eles já tinham o diagnóstico clínico de uma neuropatia hereditária do tipo desmielinizante. Coletamos amostras de sangue desses pacientes, com o consentimento das famílias, e fizemos uma análise genética detalhada, chamada exoma, que examina os genes que podem causar doenças. Também usamos bancos de dados genéticos para comparar os resultados e, sempre que possível, fizemos testes nos familiares para entender como a mutação se comportava na família. O que descobrimos: Conseguimos identificar a alteração genética responsável pela doença em 88,6% dos casos (93 de 105 pacientes). Em 9 pacientes (8,6%) encontramos alterações genéticas cuja relação com a doença ainda é incerta. E em 3 casos (2,8%) não encontramos nenhuma alteração associada. As alterações genéticas encontradas estavam em 9 genes diferentes, com nomes técnicos como PRX, LITAF, FIG4, FGD4, GDAP1, AIFM1, PMP2, BAG3 e NEFL. Conclusão: Nosso estudo mostra que existe uma grande diversidade de alterações genéticas nessas doenças, mesmo em crianças. Também identificamos novas mutações que ainda não tinham sido descritas na literatura médica. Essas descobertas ajudam a entender melhor como essas doenças se desenvolvem e contribuem para melhorar o diagnóstico e, no futuro, para criar novos tratamentos.