Representatividade na burocracia federal: quando a cor se torna importante no serviço público
Nome Completo:
Murilo Alves da Silva
Unidade da USP:
Escola de Artes, Ciências e Humanidades
Programa de Pós-Graduação:
Gestão de Políticas Públicas
Nível:
Mestrado
Resumo:
O Brasil é um país marcado por profundas desigualdades raciais, e essas desigualdades também estão presentes dentro do próprio governo, especialmente nos cargos públicos. A sua dissertação investigou como a presença de pessoas negras no serviço público federal evoluiu nos últimos anos, com foco em entender se políticas como a Lei de Cotas (Lei nº 12.990/2014), que reserva vagas para negros em concursos públicos, estão de fato ajudando a construir um governo mais diverso e representativo. O estudo analisou dados oficiais e entrevistou servidores negros que ocupam cargos de liderança para entender suas experiências, dificuldades e percepções. Um dos principais achados é que, mesmo com o aumento no número de pessoas negras no serviço público, elas ainda são minoria nos cargos mais altos, a chamada "alta burocracia", ainda é majoritariamente branca. Em outras palavras, embora as cotas tenham contribuído para abrir portas, há barreiras invisíveis, como o racismo institucional e uma cultura organizacional excludente, que dificultam a ascensão dos negros às posições de poder. Isso importa porque quem está nos cargos de decisão influencia diretamente na criação de políticas públicas. Quando há pouca diversidade nesses espaços, existe o risco de que as políticas públicas não levem em conta a realidade de boa parte da população brasileira, que é majoritariamente negra. A pesquisa mostra que a presença de servidores negros pode fortalecer a implementação de ações afirmativas e promover mudanças importantes na maneira como o Estado atende a sociedade. A contribuição social da dissertação está, portanto, em mostrar com dados e vozes reais que ainda existe um longo caminho para que o serviço público brasileiro reflita a diversidade racial da população. Mas também mostra que é possível avançar. Ao identificar os obstáculos e propor reflexões sobre como superá-los, o trabalho oferece subsídios para que gestores públicos, formuladores de políticas e a sociedade em geral pensem em estratégias mais eficazes de inclusão. Além disso, o estudo reforça que políticas de ação afirmativa não são privilégios, mas ferramentas fundamentais para corrigir desigualdades históricas e construir um país mais justo. Ele também valoriza a importância da escuta e da vivência dos próprios servidores negros, que muitas vezes enfrentam discriminação, mas continuam atuando com compromisso e excelência dentro do serviço público. Desta forma, esta pesquisa não é apenas um trabalho acadêmico: ela é um instrumento de transformação social, que convida governo, academia e sociedade a pensar em um Estado verdadeiramente plural, justo e representativo.