Ensaios sobre diferenciais de gênero no mercado de trabalho
Nome Completo:
Eloiza Regina Ferreira de Almeida
Unidade da USP:
FEA-USP
Programa de Pós-Graduação:
Teoria Econômica
Nível:
Doutorado
Resumo:
Homens e mulheres enfrentam desafios distintos no mercado de trabalho, resultando em disparidades salariais e de trajetória profissional. Apesar do substancial progresso nas últimas décadas, as persistentes assimetrias de gênero continuam a dificultar a obtenção da igualdade plena. Esta tese investiga as diferenças de gênero no mercado de trabalho brasileiro, tanto da perspectiva do trabalhador quanto da empresa. O primeiro capítulo examina como a composição de gênero das redes profissionais iniciais influencia os resultados de longo prazo dos jovens trabalhadores. Utilizando registros administrativos que abrangem os primeiros dez anos de carreira dos indivíduos, o estudo mostra que uma maior participação de mulheres na rede inicial afeta negativamente o emprego e os salários futuros. Esses efeitos são estatisticamente significativos apenas para mulheres jovens. O segundo capítulo avalia os efeitos salariais de desligamentos involuntários resultantes de demissões em massa. Ao combinar a pareamento exato com uma abordagem de estudo de eventos, a análise revela que tanto homens quanto mulheres sofrem perdas salariais imediatas e persistentes após o desligamento. Embora as mulheres enfrentem uma queda inicial maior, elas se recuperam mais rapidamente, incorrendo, em última análise, em perdas menores a longo prazo do que os homens. Os resultados sugerem que as mulheres não são mais penalizadas do que os homens ao retornar ao emprego formal. O capítulo final explora como a substituição de trabalhadores após saídas inesperadas-–por morte repentina-–pode gerar disparidades salariais baseadas em gênero. Ao monitorar a mesma vaga de emprego ao longo do tempo, a análise identifica salários mais baixos para mulheres contratadas para esses cargos, mesmo após controlar as características observáveis. Enquanto isso, os homens contratados não enfrentam salários mais baixos em comparação com o nível salarial do funcionário falecido. Essas lacunas persistem ao longo dos anos seguintes, indicando que as empresas não revisam suas percepções sobre a produtividade das mulheres. Os resultados fornecem evidências de penalidades salariais persistentes que refletem o poder de monopsônio das firmas e a potencial discriminação estatística.