Taxa de decremento metabólico em PET-FDG de pacientes com queixa cognitiva e sua correlação clínica
Nome Completo:
Raphael de Luca e Tuma
Unidade da USP:
Faculdade de Medicina
Programa de Pós-Graduação:
Neurologia
Nível:
Doutorado Direto
Resumo:
Introdução: A doença de Alzheimer é a doença neurodegenerativa mais comum, e sua prevalência tem aumentado acompanhando o envelhecimento populacional. O desenvolvimento de novas terapias para doenças neurodegenerativas depende da sua detecção precoce e a seleção adequada de pacientes que irão progredir para demência. A tomografia por emissão de pósitrons marcada com [18F]fluorodeoxiglicose (PET-FDG) gera um mapa representativo do metabolismo cerebral, apresentando uma boa correlação a sintomas clínicos e aplicabilidade em todas as doenças neurodegenerativas. Entretanto, poucos estudos exploraram a utilidade de repetir este exame. Nossa hipótese previu que, antes de pacientes com uma doença neurodegenerativa apresentarem alterações metabólica perceptíveis, o cérebro deve sofrer um decremento progressivo. Objetivos: Quantificar a taxa de decremento anual do metabolismo cerebral regional entre PET-FDGs repetidos em pacientes com sintomas cognitivos e analisar o seu valor diagnóstico em predizer desfechos clínicos. Também, explorar valores de corte, comparar estágios clínicos e exames individuais, e estabelecer o intervalo ideal entre exames. Métodos: Selecionamos uma coorte retrospectiva de pacientes com dois PET-FDGs, avaliados entre 2007 e 2024. Foram selecionados de uma clínica de memória populacional e um centro de referência terciário. Usando um software automatizado para gerar valores semi-quantitativos calculamos a taxa de decremento metabólico (TDM). Comparamos os standardized uptake value ratios (SUVrs), a variação total e a TDM em 26 regiões encefálicas predeterminadas entre pacientes cognitivamente estáveis (CE) e aqueles com uma doença neurodegenerativa. Para as TDMs, analisamos sua capacidade diagnóstica em diferenciar os desfechos clínicos. Resultados: Noventa e dois pacientes foram selecionados com ao mínimo um ano entre exames e mais que três anos de seguimento clínico. Após uma mediana de 8.5 (6.0 – 10.1) anos de seguimento, quinze pacientes tinham um diagnóstico final de doença de Alzheimer (DA), com um idade mediana de 72.0 (66.0 – 77.0) anos, enquanto 46 pacientes foram classificados como CE após 10.3 (8.2 – 11.1) anos, com uma idade mediana de 68.0 (65.0 – 71.0) anos. A maior área embaixo da curva (AUC) para a TDM detectar DA foi 0.907, para o cíngulo posterior dos dois lados. O cíngulo posterior direito apresentou uma sensibilidade de 87% (95% CI, 69–100%) e especificidade de 91% (95% CI, 83–99%), usando um valor de corte de -0.29%/ano. Sete pacientes com DA e sete pacientes CE tinham um PET com [11C]composto B de Pittsburgh positivo. Comparando estes quatorze casos, encontramos uma AUC para a TDM do cíngulo posterior esquerdo diferenciar desfechos clínicos de 0.898. Conclusão: A TDM regional é uma medição clinicamente significativa que ajuda a predizer a progressão clínica em pacientes com sintomas cognitivos, até em casos com status amiloide conhecido, e pode ser um novo biomarcador universal para o rastreamento de neurodegeneração.