Direito Internacional Penal, Justiça de Transição e Constitucionalismo Pluralista na América Latina
Nome Completo:
Denizom Moreira de Oliveira
Unidade da USP:
Faculdade de Direito
Programa de Pós-Graduação:
Direito
Nível:
Doutorado
Resumo:
A pesquisa pergunta, em termos simples: como países que viveram ditaduras podem reconstruir a democracia sem repetir os erros do passado? Para responder, analisei Brasil, Argentina e Chile e cruzei três peças que costumam andar separadas: justiça de transição (memória, reparação e responsabilização), regras do Direito Internacional Penal (como os crimes contra a humanidade) e reformas constitucionais que abrem espaço para mais vozes na vida pública. O principal achado é que o Direito Internacional Penal não serve só para punir indivíduos por violações graves; ele oferece uma "linguagem comum" de mínimos éticos para guiar tribunais, governos e legisladores. Quando essa linguagem é levada a sério, ela ajuda a organizar políticas de memória, a proteger vítimas e a colocar a prevenção de novos abusos no centro das reformas do Estado. Também mostro onde estamos falhando: as regras internacionais ainda são aplicadas de modo irregular, especialmente no Brasil, o que enfraquece a proteção de direitos e a confiança nas instituições. O trabalho contribui com caminhos práticos: fortalecer o uso, pelos juízes e pelo Ministério Público, dos parâmetros de direitos humanos já assumidos pelo país; alinhar leis e decisões internas a esses compromissos; e incluir de forma efetiva grupos historicamente ignorados — como povos indígenas — nas decisões sobre memória, reparação e desenho das instituições. Em vez de copiar modelos prontos, defendo que a América Latina desenvolva sua própria gramática jurídica, construída a partir de suas experiências, feridas e resistências. Em termos de impacto social, isso significa: mais clareza para investigar e julgar violações graves; políticas públicas de memória que educam e combatem o negacionismo; reformas que distribuem melhor o poder e tornam a democracia mais resistente. Em suma, a pesquisa mostra que lembrar bem, julgar com critérios claros e reformar com participação social não é olhar para trás: é a melhor forma de proteger vidas e garantir que o "nunca mais" saia do discurso e entre no cotidiano das pessoas.