O conflito como um aspecto do Republicanismo na filosofia política de Maquiavel: elementos que sustentam uma república na História de Florença
Nome Completo:
Alcides Borges Neto
Unidade da USP:
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
Programa de Pós-Graduação:
Filosofia
Nível:
Mestrado
Resumo:
Conflitos que constroem: A Relevância Social da Pesquisa sobre Maquiavel. Vivemos em uma época marcada por tensões políticas, polarizações e dificuldades em lidar com a diversidade de opiniões e interesses. Nesse cenário, minha pesquisa busca compreender como o conflito – muitas vezes visto apenas como algo negativo – pode, na verdade, ser uma força essencial para o funcionamento saudável de uma sociedade republicana. O estudo parte da obra História de Florença, escrita por Nicolau Maquiavel, pensador renascentista conhecido por sua análise realista da política. Embora menos conhecida do que outros textos seus, essa obra oferece reflexões profundas sobre o funcionamento das instituições, as disputas entre elites e povo, e os efeitos dos conflitos internos na estrutura política. A partir dessa leitura, a dissertação demonstra que, para Maquiavel, os conflitos sociais não precisam ser evitados a qualquer custo. Ao contrário: quando bem conduzidos por leis e instituições sólidas, esses conflitos podem promover a liberdade, equilibrar o poder entre diferentes grupos e impedir a dominação de uma única classe sobre as demais. Esse entendimento é especialmente relevante para o Brasil, país que frequentemente enfrenta dificuldades para lidar com seus próprios conflitos históricos e sociais. O trabalho destaca quatro pilares essenciais para a manutenção de uma república: a capacitação dos governantes, o reconhecimento das forças sociais em disputa (os chamados humores), a importância de amparar os conflitos extremos por meio da lei e o equilíbrio entre os poderes. Em suma, não se trata de eliminar o conflito, mas de canalizá-lo para o bem comum. Essa perspectiva pode contribuir para o debate público e político contemporâneo ao oferecer um novo olhar sobre a importância da diversidade de ideias, da crítica, do embate democrático e da construção de instituições que saibam escutar, conter e transformar os conflitos em motor de progresso social. Em última análise, a pesquisa convida a sociedade a repensar o papel do desacordo e da diferença não como ameaça, mas como condição necessária para a convivência democrática e o fortalecimento das liberdades.