Verde na estrada: a jornada das práticas sustentáveis do transporte rodoviário de commodities agrícolas
Nome Completo:
Sarah Barbosa Tosi
Unidade da USP:
ESALQ
Programa de Pós-Graduação:
Administração
Nível:
Mestrado
Resumo:
O estudo Verde na Estrada mostra que o caminho rumo à sustentabilidade no transporte rodoviário de commodities agrícolas ainda é longo e cheio de obstáculos. A ideia de "jornada" no título reflete esse movimento: empresas já deram passos importantes, mas ainda há muito a percorrer até chegarmos a um transporte mais limpo e ambientalmente responsável. O transporte rodoviário é vital para a economia e para o abastecimento de alimentos, mas também está entre os setores que mais poluem. Por isso, entender como as empresas estão lidando com esse desafio é essencial para pensar soluções futuras. As empresas analisadas foram selecionadas a partir da base de contatos do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial ESALQ-LOG, com ampla experiência em cadeias logísticas do agronegócio. Esse recorte garante que a investigação dialogue com atores relevantes do setor. Foram ouvidas 20 empresas do setor, em conversas com profissionais da operação logística. Além da revisão de estudos existentes, os dados foram organizados em sete categorias, construídas pela técnica de análise de conteúdo categorial e fundamentadas na teoria da cadeia de suprimentos. Esse método permitiu compreender não apenas práticas já adotadas, mas também razões que dificultam a implementação de estratégias mais robustas de sustentabilidade. Entre as ações já em andamento estão: planejamento estratégico voltado à sustentabilidade, certificações, medição e compensação de carbono, uso de veículos mais eficientes, monitoramento de combustível e roteirização. Essas medidas ajudam a reduzir emissões e tornam o transporte mais limpo. Contudo, os desafios permanecem: altos custos de investimento, ausência de incentivos fiscais, infraestrutura inadequada e pressão de clientes que escolhem apenas pelo menor preço. Com base nos resultados, foi criada uma escala que mostra quatro estágios de sustentabilidade nas empresas: iniciante, emergente, consistente e avançado. Todas já deram algum passo nessa estrada, mas nenhuma realiza todas as estratégias. Isso mostra que, embora haja avanços, o percurso ainda é longo. O impacto do estudo está em oferecer um retrato claro de como o setor se move e quais barreiras precisam ser enfrentadas. Essas informações podem apoiar empresas em seu planejamento, clientes na valorização de práticas sustentáveis e governos na criação de políticas e infraestrutura adequadas. Ao final, o trabalho aponta caminhos para reduzir emissões e tornar o transporte rodoviário, essencial para a economia e para o alimento que chega à mesa, mais eficiente e de baixo carbono. Essa jornada ainda tem muitas curvas, mas cada passo aproxima a sociedade de um futuro mais sustentável e equilibrado. Este estudo integra a agenda sobre descarbonização de sistemas alimentares e extensão inovadora da Rede All4Food, com financiamento do CNPq (Processos nº 402188/2023-3 e nº 304283/2024-0). A dissertação contou ainda com apoio do ESALQ-LOG e fomento da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).