Composição gasosa na conservação da uvaia (Eugenia pyriformis Cambess): efeitos na extensão da vida útil, qualidade e compostos bioativos da fruta
Nome Completo:
Isabela Barroso Taver
Unidade da USP:
ESALQ
Programa de Pós-Graduação:
Sistema Integrado em Alimentos
Nível:
Doutorado
Resumo:
Não é segredo para ninguém que o mundo vem enfrentando desafios cada vez mais complexos, como o crescimento populacional, as mudanças climáticas e a perda da biodiversidade, que colocam em risco a produção de alimentos e a segurança alimentar. Diante desse cenário, torna-se essencial buscar alternativas viáveis que conciliem conservação ambiental, valorização da biodiversidade, geração de renda e a produção de alimentos seguros. O Brasil, reconhecido como 3º maior produtor de frutas do mundo, abriga uma imensa variedade de espécies nativas com alto potencial nutricional e funcional. Entre elas está a uvaia (Eugenia pyriformis Cambess), fruta nativa da Mata Atlântica, que se destaca pelo aroma intenso, coloração vibrante e alto teor de compostos bioativos como vitamina C, carotenoides e compostos fenólicos, conhecidos por seus efeitos benéficos à saúde. Porém, sua elevada perecibilidade limita seu potencial. A fruta se deteriora rapidamente após a colheita, o que limita seu transporte, comercialização e consumo in natura. Essa fragilidade restringe o aproveitamento da espécie e impede que seus benefícios cheguem a mais pessoas e auxilie nos mais diversos elos da cadeia. A presente tese buscou compreender como a modificação da composição gasosa ao redor da fruta, por meio da tecnologia de atmosfera controlada, pode prolongar a vida útil da uvaia, mantendo sua aparência, sabor e aroma por mais tempo. Foram testadas diferentes concentrações de oxigênio (O₂) e dióxido de carbono (CO₂) associadas ao controle da temperatura, visando identificar as faixas gasosas mais seguras e eficientes para a conservação da fruta. Também foi realizada a primeira identificação de compostos voláteis derivados de carotenoides na uvaia, contribuindo para a compreensão da correlação entre esses compostos e seus carotenoides precursores. Os resultados demonstraram que determinadas combinações de gases foram capazes de estender o período de vida útil da fruta, garantindo a manutenção da qualidade visual, redução do avanço e severidade da podridão. Essas descobertas representam um passo importante para o desenvolvimento de embalagens e sistemas de armazenamento mais sustentáveis e adaptados à espécie, abrindo caminho para sua inserção em mercados mais amplos. Além de seu impacto tecnológico, o estudo reforça o papel da ciência na valorização das frutas nativas brasileiras e na preservação da biodiversidade da Mata Atlântica, ao mesmo tempo, o em que contribui para reduzir o desperdício de alimentos e fortalecer a agricultura familiar. Assim, esta pesquisa se conecta diretamente aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, especialmente ao ODS 2 (Fome Zero e Agricultura Sustentável), ODS 3 (Saúde e Bem-Estar), ODS 12 (Consumo e Produção Responsáveis) e ODS 15 (Vida Terrestre), mostrando que investir em ciência e biodiversidade é também investir em um futuro alimentar mais justo, saudável e sustentável.