Ritos fúnebres no contexto da pandemia COVID -19
Nome Completo:
Larissa Neri Silva
Unidade da USP:
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
Programa de Pós-Graduação:
Humanidades direitos e outras legitimidades
Nível:
Mestrado
Resumo:
Os rituais fazem parte de todos os processos sociais. Eles organizam o caos, dão sentido e iniciam fases da vida e marcam seu término. Marcam mudanças individuais como também evidenciam relações de pessoas conectadas por laços sociais (DA SILVA apud TURNER, 1953), como no caso dos ritos de casamento. Em relação à morte, o historiador João José Reis, nos conta que os ritos fúnebres existem não apenas para que a alma do morto possa passar para o outro mundo, seja ele qual for, mas para que os vivos possam ser reinseridos na lógica do cotidiano novamente. Estes ritos compõem simbologias de como o morto será visto pela última vez, não apenas fisicamente, mas enquanto "corpo social". A partir dessa perspectiva, essa pesquisa pretende discutir diante das mortes causadas pela covid-19, sobre os corpos impossibilitados de passar pelos ritos de morte. Como a sociedade se reorganizará para suprir essa falta. Como a cultura católica, mais especificamente da população da região sul da capital de São Paulo, passará a enlutar seus mortos. Em um momento que não tem sido possível que o morto mantenha sua individualidade, como foi o caso das covas coletivas, e ao não receber um funeral nos modelos tradicionais, e assim então, como se desenvolve no imaginário a ideia de impureza que vem com a morte, e o desligamento do morto do mundo dos vivos, que vem com a morte.