Flight, Welfare, And Behavioral Management In Pet Psittacines: Integrating Population-Level Insights, Experimental Approaches, And Clinical Interventions
Nome Completo:
Rodrigo Mendes Aguiar
Unidade da USP:
Instituto de Psicologia
Programa de Pós-Graduação:
Psicologia Experimental
Nível:
Doutorado
Resumo:
Minha tese reúne quatro frentes para melhorar a vida de papagaios, calopsitas e outros psitaciformes que vivem com pessoas: um grande levantamento sobre corte de asas, uma análise de 1.053 casos de fuga, um experimento de enriquecimento ambiental com calopsitas e um acompanhamento clínico de aves com dano crônico às penas. Em conjunto, os estudos mostram que preservar o voo, adotar manejo baseado em evidências, personalizar o enriquecimento e integrar abordagens clínicas gera cuidado mais seguro, ético e aplicável no dia a dia de tutores e profissionais. O levantamento populacional revela que o corte de asas ainda é comum e nasce, muitas vezes, de recomendações tradicionais, apesar de efeitos negativos reconhecidos. Além de estar associado a mais acidentes, o corte costuma transmitir uma falsa sensação de segurança — os tutores relaxam outras medidas e as aves seguem vulneráveis. Assim, práticas restritivas não cumprem o que prometem e abrem espaço para alternativas centradas no comportamento natural de voo. A análise de fugas mostra taxas elevadas em domicílios, geralmente ligadas a contenção inadequada e falhas de supervisão. Mesmo combinando estratégias preventivas, nenhuma medida isolada funciona sempre; o caminho é educação continuada de tutores, rotinas consistentes e casas preparadas (barreiras físicas, portas e janelas seguras), além do treino positivo para retorno. Esses achados orientam campanhas, guias práticos e protocolos clínicos para reduzir perdas e estresse familiar. No experimento, o enriquecimento ambiental reduziu arrancamento de penas, aumentou a diversidade de comportamentos e o engajamento com novidades; porém, os efeitos diminuíram quando o enriquecimento foi retirado. As aves responderam de modos diferentes, reforçando que planos precisam ser personalizados e contínuos para manter ganhos. Isso dá base para rotinas simples e acessíveis (brinquedos, forrageamento, treino gentil) que qualquer tutor pode aplicar. No ambulatório, combinar gabapentina com ajustes ambientais e sociais reduziu, ainda que parcialmente, comportamentos automutilatórios crônicos, sugerindo que intervenções multimodais, que consideram fatores fisiológicos e ambientais, tendem a funcionar melhor do que soluções únicas. Na prática, clínicas e abrigos ganham um roteiro integrando medicamento, manejo e enriquecimento, com metas realistas e acompanhamentos regulares. Em termos de impacto social, os resultados oferecem: menos acidentes e fugas; casas mais preparadas e acolhedoras; convivência mais harmoniosa, com aves ativas e confiantes; e políticas e práticas profissionais alinhadas ao respeito ao voo e ao bem-estar. Ao trocar "restrição" por "educação, segurança e estímulo", cuidamos melhor das aves e fortalecemos vínculos, reduzindo sofrimento e custos para famílias e serviços veterinários.