Mare Laconum: os periecos da costa da Lacônia entre Esparta e o Mediterrâneo
Nome Completo:
Gabriel Cabral Bernardo
Unidade da USP:
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
Programa de Pós-Graduação:
História Social
Nível:
Doutorado
Resumo:
A tese "Mare Laconum: os periecos da costa da Lacônia entre Esparta e o Mediterrâneo" traz novas formas de entender a história da Grécia Antiga, focando não nos grandes heróis ou cidades famosas, mas nos chamados periecos — "aqueles que viviam ao redor" de Esparta, na região da Lacônia. Tradicionalmente, a história dessas comunidades era vista apenas como um complemento à história de Esparta: os periecos eram retratados sempre em função da cidade principal, com pouca ou nenhuma autonomia. Esta pesquisa inova ao mostrar que, mesmo politicamente subordinados, os periecos eram agentes históricos, criando suas próprias redes, tomando decisões e se conectando com pessoas e regiões para além do controle espartano, especialmente através do acesso ao mar. Nesse sentido, o principal objetivo dessa tese é p de questionar narrativas tradicionais que tendem a centralizar o poder e a "apagar" as experiências dos povos periféricos. Ao trazer à luz a importância das margens – geográficas e sociais – a pesquisa reforça que não só os "centros de poder" são dignos de estudo: comunidades menores, consideradas periféricas, ajudam a compor uma visão mais completa e plural da história. Essa abordagem também inspira reflexão sobre a situação de minorias e regiões periféricas no mundo de hoje, mostrando que a diversidade de experiências, mesmo em ambientes de dominação, pode gerar inovação, resiliência e criatividade. Para isso, a tese combina dados arqueológicos, geográficos e históricos para "reconstruir" redes de conectividade, servindo de exemplo para pesquisas interdisciplinares que buscam compreender sociedades humanas em toda sua complexidade. Isso pode ser diretamente útil em áreas como educação, promovendo a valorização de culturas regionais e de saberes menos visibilizados, além de estimular a empatia social ao mostrar que mesmo as grandes cidades ou Estado são compostas por muitos grupos diversos, esses quase sempre em sua maioria de populações periféricas. Diretamente, a tese contribui para o debate acadêmico e para a compreensão de uma região que mesmo no exterior é pouco estudada em sua completude, propondo uma nova forma de contar a história de Esparta e da região sob sua influência direta – ainda que não centrada na cidade dominante e sim naqueles que "vivam ao seu redor". Isso também visa, indiretamente, inspira uma perspectiva crítica frente à ideia de periferia e centro: questionar quem conta as histórias, de que lugar, e a quem elas servem, ajuda a fortalecer práticas culturais e políticas voltadas para a inclusão e a pluralidade. Além disso, o estudo do uso do mar e das conexões transregionais pelo grupo dos periecos ressoa com desafios atuais, como integração de migrantes, fronteiras e mobilidade. Ao mostrar que antigos gregos da periferia estavam longe de ser passivos ou isolados, mas participavam ativamente de redes amplas, a tese sugere que, tanto no passado quanto hoje, "margens" são lugares de contato, troca e construção de identidades diversas e dinâmicas – fundamentais para uma sociedade mais aberta e inclusiva.