Modelagem de Nichos Ecológicos aplicada à Conservação do gênero Callithrix na Mata Atlântica
Nome Completo:
Edson Alves Filho
Unidade da USP:
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
Programa de Pós-Graduação:
Programa de Pós-Graduação em Geografia Física
Nível:
Doutorado
Resumo:
Minha tese de doutorado teve como principal preocupação avaliar o estado de conservação ou degradação do nicho ecológico (conjunto de condições e recursos que permitem a uma espécie sobreviver no ambiente) das espécies do gênero Callithrix, popularmente conhecidos como saguis da Mata Atlântica. Para atingir esse objetivo utilizei a Modelagem de Nicho Ecológico, que é uma ferramenta computadorizada que, a partir da entrada de informações do nicho ecológico (tipo de vegetação, temperatura, etc.) e pontos de ocorrência de uma determinada espécie permiti mapear o nicho ecológico em que potencialmente uma espécie biológica pode ocorrer. Também foi utilizada uma técnica de sensoriamento remoto chamada Análise Espaço-Temporal do comportamento da vegetação e do uso da terra ao longo de toda a Mata Atlântica. Nesta técnica selecionei imagens do Satélite MODIS EVI, lançado pela NASA, para os anos de 2000 e 2020 e por meio de recursos computacionais, consegui avaliar, de maneira continua, todo o período de análise, encontrando quais as principais alterações na vegetação e nos tipos de uso da terra da área de estudo, para saber, por exemplo, se houve crescimento ou redução da vegetação, ou se houve expansão das áreas de agricultura. Essa técnica foi essencial na minha pesquisa porque ela permitiu verificar quais são as áreas onde se encontram as maiores ameaças em relação à conservação dos saguis da Mata Atlântica. Os resultados da minha tese de doutorado permitiram verificar que as áreas com maiores densidades de vegetação e também com a maior variabilidade de uso da terra (locais onde a vegetação passou a ter outro uso, como por exemplo, pastagens, agricultura, área urbana, etc.) estão localizadas nas sub-regiões da Mata Atlântica Pernambuco-Ceará, Bahia e Diamantina. Como um todo, a área representada pelo Bioma Mata Atlântica, experimentou, entre 2000 e 2020 três principais tipos de transformações da cobertura vegetal e do uso da terra: permanência de formações florestais úmidas e perenes, com crescimento estável ao longo do tempo, que corresponde a Mata Atlântica que não sofreu com qualquer forma de desmatamento, sobretudo ao longo da Serra do Mar no sudeste do Brasil e no Planalto das Araucárias, no sul do Brasil; áreas de cultivos cíclicos com colheitas anuais e bianuais, as quais correspondem aos principais tipos de bens agrícolas produzidos no Brasil, como soja, milho e café, sobretudo nas sub-regiões da Mata Atlântica São Francisco, Diamantina e Interior, as quais correspondem às últimas áreas de expansão do agronegócio brasileiro. Os resultados da minha tese originados a partir da Modelagem de Nicho Ecológico encontraram uma área de nicho ecológico de 1.811.534,44 km2 para os saguis da Mata Atlântica, dos quais 59,90% ocorrem exclusivamente dentro do Bioma Mata Atlântica. As áreas em que os saguis da Mata Atlântica se encontram mais ameaçados ficam, sobretudo nas sub-regiões dos Brejos Nordestinos, São Francisco e Diamantina, áreas essas que são conhecidas pelo avanço da agricultura e pecuária, e que precisam, portanto, de um reforço de proteção para que o nicho ecológico dos saguis da Mata Atlântica seja protegido.