Madeiras fósseis do vale do Rio Peruaçu: Testemunhas de eventos de inundações extremas no holoceno
Nome Completo:
Felipe Carvalho Beltrão Cavalcanti
Unidade da USP:
Instituto de Biociências
Programa de Pós-Graduação:
Mestrado em Botânica
Nível:
Mestrado
Resumo:
Este estudo apresenta madeiras fósseis quaternárias descobertas no Vale do Rio Peruaçu, no norte de Minas Gerais, que oferecem insights cruciais sobre padrões climáticos passados e eventos extremos de inundação na bacia do Rio São Francisco. As madeiras fósseis foram preservadas sob condições geológicas e climáticas muito raras, dentro do sistema cárstico do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu (PNCP). Essa área é significativa devido à sua localização no topo da bacia do Rio São Francisco e em uma área ecótona entre biomas brasileiros como o Cerrado, a Caatinga e a Mata Atlântica, constituindo uma região vital para a compreensão da história climática do Brasil central. Essas madeiras fósseis foram depositadas por inundações antigas ligadas a eventos de alta pluviosidade durante o Holoceno tardio (1300-2000 EC), sugeridos como desencadeados por grandes erupções vulcânicas ao redor do mundo. Esses espécimes fósseis, encontrados em diferentes alturas abrigados em uma caverna, fornecem um valioso registro de formações vegetativas e condições climáticas passadas. Este estudo teve como objetivo classificar e identificar esses fósseis para aprimorar a compreensão desses eventos extremos históricos e avaliar os riscos potenciais de futuros eventos climáticos extremos na bacia do Rio São Francisco. As 73 madeiras fósseis compreendiam 28 diferentes morfotipos, dos quais 21 foram identificados. Os táxons identificados sugerem um paleoambiente semelhante ao ambiente moderno da região. Esses achados têm implicações mais amplas para a mitigação de eventos climáticos extremos e para políticas públicas, destacando a importância de informações acionáveis no enfrentamento da crescente frequência de enchentes, secas e outros eventos extremos no Brasil.