Terapia Ocupacional na tessitura de práticas político-performáticas em situações sensíveis: violência contra mulheres
Nome Completo:
Nathalia Andrea Ahumada Goity
Unidade da USP:
Faculdade de Medicina
Programa de Pós-Graduação:
Terapia Ocupacional e Processos de Inclusão Social
Nível:
Mestrado
Resumo:
As práticas político-performáticas são uma possibilidade para contribuir desde o corpo como território político, como linguagem de denúncia e de transformação coletiva de situações que afetam todas as mulheres. A pesquisa discute os desenhos éticos e estéticos feministas, utilizados por terapeutas ocupacionais em ações aqui denominadas de práticas político-performáticas para a abordagem de violências contra mulheres em diferentes cenários, no Chile e no Brasil. Como parte da pesquisa qualitativa, foram realizadas entrevistas abertas a 12 mulheres, terapeutas ocupacionais, que participaram em práticas político-performáticas sobre a temática de violência contra a mulher e defesa de direitos. As entrevistas foram transcritas, textualizadas e enviadas para as participantes, de modo a aprovarem e/ou modificarem o conteúdo, tendo como resultado as narrativas finais. Ademais, foi elaborada uma autonarrativa pela pesquisadora baseada em suas experiências. Por outro lado, se fez uma análise das imagens das práticas político-performáticas enviadas pelas participantes para complementar o texto. Para isto - como guia da reflexão sobre os processos, compressão e sentidos de práticas e contextos -, guiaram as conversações as seguintes perguntas de pesquisa: de que modo as terapeutas ocupacionais integram práticas político-performáticas, seja em sua ação profissional, seja no âmbito do ativismo?; quais são os aportes das práticas político-performáticas que podem ser integrados ao corpo de conhecimento da Terapia Ocupacional nas intervenções com mulheres vítimas de violência?; quais as temáticas trabalhadas nos cenários de práticas observadas no estudo?; como as participantes perceberam e expressaram sua percepção sobre a violência contra a mulher? Propõe-se uma reflexão sobre vivências de violência no âmbito privado, buscando a visibilidade no espaço público como lugar em que se disputa o poder e onde historicamente a participação social das mulheres tem sido restritiva. Todos esses saberes se entrecruzam, de modo que a formação em Terapia Ocupacional participa, neste estudo, tanto da construção das reflexões e expressões estéticas no contexto de ações em protestos feministas quanto no cotidiano profissional. Nossas (inter)subjetividades entrelaçam-se à ação profissional e ao cotidiano como seres em constante construção. Portanto, as experiências de vida das pessoas que são acompanhadas nos processos terapêutico-ocupacionais exigem, também, a adoção, no âmbito da presente pesquisa, a incorporação da reflexividade e um esforço de compreensão da complexidade dos contextos sócio-históricos, implicando o gênero no bojo do capitalismo, particularmente, no jogo de poderes em disputa.